Notícias
São Paulo terá a primeira usina brasileira para captura e armazenamento de carbono emitido pela produção de etanol de cana-de-açúcar. O projeto terá duração de cinco anos, investimento total estimado de R$ 30 milhões e será implementado em duas fases. Na primeira, com duração de dois anos, a equipe vai prospectar locais para a instalação da usina e analisar o potencial do estado para o uso da tecnologia. Na segunda fase, o projeto deve avançar para a implantação e funcionamento da nova usina.
O estado é o maior produtor de etanol e de açúcar do país, e a tecnologia de bioenergia com captura e armazenamento de carbono permite, em tese, que o etanol paulista se torne um combustível “carbono negativo” – ou seja, que mais retira do que adiciona carbono da atmosfera. Isso porque o processo de captura do CO₂ liberado na produção do etanol e seu armazenamento no subsolo reverteria o balanço de emissões de gases do efeito estufa.
“A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar já é considerada uma alternativa mais sustentável em relação aos combustíveis fósseis por emitir menos gás carbônico. Portanto, ao capturar esse gás e injetá-lo no subsolo, estamos removendo ativamente o carbono que já circulava no ciclo de vida da planta. Atualmente, o etanol ainda tem uma pegada de carbono positiva, mas, com a remoção, pode-se chegar a uma pegada de carbono negativa. Algo extremamente interessante para o setor sucroenergético e para o país”, avalia Bruno Souza Carmo, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e diretor do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio).
Segundo Carmo, a tecnologia para fazer essa captura e armazenamento de carbono já existe e, portanto, o maior desafio do novo centro será torná-la viável no contexto paulista e do setor sucroenergético. “O armazenamento de carbono não gera receita direta. Vamos estudar mecanismos de monetização, como mercado de carbono, compensações ambientais e políticas de incentivo”, afirma.
Continua depois da publicidade |
O centro terá atuação multidisciplinar, reunindo especialistas em engenharia, geologia, economia, direito e psicologia. Entre as principais frentes estão a avaliação da viabilidade econômica e a análise do arcabouço regulatório para viabilizar créditos de carbono. Nessa etapa, os pesquisadores também vão identificar por meio de estudos geológicos os locais mais adequados para instalar a usina e armazenar o CO₂ capturado. Segundo Carmo, a planta precisa estar próxima de reservatórios salinos profundos, formações a mais de mil metros de profundidade e compostas por rochas porosas preenchidas por água altamente salina, ou seja, sem utilidade para o abastecimento humano.
O termo de criação do CTCCSBio foi assinado pelo governo paulista na última quarta-feira, dia 10, durante a Semana do Meio Ambiente. Trata-se de um novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), financiado pela Fapesp, sediado na Poli-USP e implementado em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semil), a Petrobras e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados. A missão da equipe será estudar a viabilidade e planejar a implantação da nova usina.
tualmente, o Brasil possui apenas uma planta de captura e armazenamento de carbono no estado do Mato Grosso, que é voltada para o etanol de milho. A usina paulista será a primeira dedicada ao etanol de cana.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
Gostou? Então compartilhe:
Faça seu login
Ainda não é cadastrado?
Cadastre-se como Pessoa física ou Empresa
