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Projeto de baterias de íons de lítio recebe investimento de R$ 68,6 milhões

Iniciativa busca elevar a produção nacional de células ao nível pré-industrial e ampliar a autonomia tecnológica do Brasil

Um projeto estruturante voltado ao desenvolvimento de baterias de íons de lítio no Brasil conta com investimento global de aproximadamente R$ 68,6 milhões. Conduzida pelo Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (ISI-Eletroquímica), em parceria com o Instituto CPQD, a iniciativa tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva nacional e ampliar a capacidade tecnológica do país em uma área estratégica para a transição energética e a mobilidade elétrica.

Com execução prevista até julho de 2027, o projeto pretende elevar a maturidade tecnológica da produção brasileira de células de baterias aos níveis TRL e MRL 7, etapa que corresponde à demonstração da tecnologia em ambiente pré-industrial.

Os avanços da iniciativa foram apresentados durante o 2º Stage Gate do projeto, realizado na sede do CPQD, em Campinas (SP). O encontro reuniu representantes do Senai Nacional, da Embrapii, de empresas parceiras e das equipes técnicas envolvidas na execução.

Um dos principais eixos do projeto é a implantação de uma planta semiindustrial de baterias no ISI-Eletroquímica. A estrutura será utilizada para a produção de lotes pioneiros de células, validação de processos industriais, testes de novos materiais e desenvolvimento de projetos cooperativos com empresas.

A planta está sendo preparada para fabricar células cilíndricas 21700 e células prismáticas com capacidade próxima de 100 Ah. A infraestrutura contará com áreas destinadas à produção de formulações de pastas catódicas e anódicas, fabricação de eletrodos, montagem das células e formação eletroquímica.

Durante o 2º Stage Gate, também foi apresentado o andamento da aquisição dos equipamentos que irão compor a linha de produção. Os equipamentos foram embarcados na China em agosto de 2026.


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Paralelamente, estão em andamento a implantação da sala seca e as adequações civis necessárias para receber os equipamentos. A previsão é concluir a estrutura da planta em dezembro de 2026 e iniciar a operação em 2027.

Desenvolvimento de células nacionais

Ao final do segundo ano do projeto, as equipes apresentaram resultados obtidos nas frentes de pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura. Entre os avanços estão a fabricação e avaliação, em escala laboratorial, de protótipos de células cilíndricas e prismáticas pelo ISI-Eletroquímica.

O CPQD, por sua vez, avançou nos ensaios elétricos e de segurança utilizando células comerciais como referência tecnológica. Foram realizados testes de capacidade, resistência interna, densidade de energia, eficiência de recarga, vida útil e diferentes parâmetros de segurança.

O projeto contempla o desenvolvimento de tecnologias baseadas nas químicas LFP (fosfato de ferro-lítio) e NMC (níquel-manganês-cobalto), utilizadas atualmente em aplicações de mobilidade elétrica e armazenamento de energia.

De acordo com os resultados apresentados, os protótipos desenvolvidos já apresentam desempenho inicial próximo ao observado em produtos comerciais. A iniciativa busca, a partir desses resultados, ampliar o domínio nacional sobre processos e tecnologias considerados críticos para a fabricação de baterias.

Conexão com empresas

A aproximação com a indústria é outro componente do projeto. O 2º Stage Gate contou com representantes de empresas como Petrobras, WEG, Stellantis, Volkswagen, Marcopolo, Arkema, CBA e Grupo Moura, entre outras organizações ligadas ao ecossistema de baterias.

O encontro teve ainda 42 participantes em formato online e incluiu uma visita aos Laboratórios de Energia do CPQD, onde foram apresentadas atividades de pesquisa e ensaios relacionados ao projeto.

A próxima etapa será concentrada na instalação e no comissionamento dos equipamentos, na validação dos processos e na preparação para a fabricação dos primeiros lotes de células brasileiras em escala pré-industrial.