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A indústria de ferramentaria automotiva dos Estados Unidos enfrenta uma crise de competitividade que compromete sua capacidade de atender à produção nacional de veículos. Segundo reportagem publicada pela IndustryWeek, em 9 de outubro, com base em estudo preliminar do Center for Automotive Research (CAR), a América do Norte já não consegue lançar, redesenhar ou atualizar veículos em larga escala sem recorrer a ferramentas e matrizes fabricadas na China.
O levantamento, baseado em entrevistas com representantes da indústria automotiva, aponta que o enfraquecimento da ferramentaria norte-americana ocorre há cerca de 30 anos, marcado pelo fechamento de empresas, aposentadoria de profissionais especializados e deslocamento da cadeia de suprimentos para a Ásia.
Em 2025, China, Taiwan e Vietnã responderam juntos por 88,2% das importações norte-americanas de ferramentas de corte e acessórios. No segmento de moldes industriais, a China representou 43,1% das importações dos Estados Unidos, mais que o dobro da participação do Canadá, segundo maior fornecedor.
O estudo também identifica mudanças na origem das importações após a imposição de tarifas comerciais norte-americanas sobre produtos chineses, em 2018. Enquanto as compras diretas da China diminuíram, a participação do Vietnã nas importações de ferramentaria cresceu de 0,3% para 25,2% em 2025.
Atualmente, China, Vietnã, Tailândia e Taiwan concentram, juntos, 74,6% das importações norte-americanas de ferramentaria automotiva, conforme os dados apresentados na pesquisa.
Entre os principais problemas estruturais identificados pelo CAR estão as diferenças nas condições comerciais entre fornecedores chineses e norte-americanos.
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Na China, fabricantes de ferramentas e matrizes podem receber até 90% do pagamento no momento do embarque, antes mesmo da conclusão do Processo de Aprovação de Peças de Produção (PPAP). Nos Estados Unidos, fornecedores frequentemente precisam esperar de três a seis meses após a aprovação para receber.
O estudo considera os atrasos nos pagamentos uma das questões mais urgentes para a recuperação da competitividade norte-americana.
As diferenças também aparecem nos preços. Segundo o levantamento, fornecedores chineses apresentam propostas equivalentes a aproximadamente um terço dos preços norte-americanos para matrizes pequenas. No caso de matrizes de grande porte, os valores são de 25% a 30% inferiores.
Entretanto, os pesquisadores observam que essas comparações nem sempre consideram o custo total do ciclo de vida das ferramentas, incluindo tarifas, frete, riscos e alterações de engenharia.
Outro fator apontado é o acesso a incentivos governamentais. Enquanto fabricantes chineses contam com subsídios e financiamentos a juros reduzidos para investir em equipamentos e equipes de engenharia, empresas norte-americanas enfrentam condições menos favoráveis de expansão.
A diferença de capacidade produtiva também é significativa. Segundo informações apresentadas aos pesquisadores por Pat D'Eramo, CEO da Martinrea, mais de 100 ferramentarias chinesas possuem pelo menos mil engenheiros e capacidade para produzir 800 matrizes médias e grandes por ano.
Nos Estados Unidos, menos de cinco empresas do setor possuem mais de 300 funcionários e capacidade para fabricar 150 matrizes anualmente.
Além da diferença de escala, a indústria norte-americana enfrenta escassez de trabalhadores especializados e dificuldades no abastecimento de matérias-primas, especialmente do aço ferramenta P20, utilizado na fabricação de moldes.
Mesmo com avanços de produtividade, os prazos de entrega de ferramentas nos Estados Unidos podem ultrapassar 15 semanas, patamar semelhante ao registrado na década de 2010.
Para o CAR, a recuperação da capacidade industrial exige cooperação entre governo e empresas, com revisão das condições de pagamento, padronização das especificações comerciais e melhorias nos mecanismos de controle das importações.
O estudo também destaca a importância de incluir o Canadá nessas iniciativas, considerando a integração histórica entre as indústrias de ferramentaria e fabricação de veículos dos dois países.
A pesquisa classifica a perda de capacidade produtiva da ferramentaria norte-americana não apenas como um problema de competitividade automotiva, mas também de segurança nacional, uma vez que fabricantes de equipamentos de defesa utilizam fornecedores comuns aos da indústria automobilística.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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