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A recuperação da participação da produção brasileira no atendimento à demanda doméstica de produtos químicos poderia adicionar R$ 161 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2036, além de gerar 1,5 milhão de empregos. A estimativa faz parte do estudo “Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica”, lançado pelo Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química (IDQ), em São Paulo.
Elaborado pela LCA Consultoria Econômica, com apoio da Macrotempo, o levantamento apresenta um diagnóstico do complexo químico brasileiro e propõe uma agenda de medidas para ampliar a sustentabilidade do setor, a capacidade produtiva, os investimentos, a inovação e a competitividade.
Segundo o estudo, a participação da produção nacional no consumo aparente doméstico caiu de 80%, em 2005, para 63%, em 2023, em um movimento acompanhado pelo avanço das importações e pela geração de um déficit comercial setorial superior a US$ 40 bilhões anuais.
As simulações econométricas apresentadas no levantamento, fundamentadas na Matriz Insumo-Produto, indicam que a reconquista do mercado interno pela produção brasileira também poderia gerar R$ 55 bilhões em massa salarial, criar 1,5 milhão de empregos e acrescentar R$ 38 bilhões em arrecadação tributária até 2036.
Durante o lançamento, o diretor-presidente do IDQ, Marcelo Pimentel, destacou o papel da indústria química na economia brasileira. Segundo ele, o setor representa o terceiro maior segmento do PIB industrial, gera 2 milhões de empregos diretos, indiretos e por efeito renda, paga salários superiores à média da indústria e do restante da economia e está entre os maiores investidores em pesquisa e desenvolvimento.
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Entre os principais fatores que afetam o desenvolvimento da indústria química, o estudo aponta a desvantagem estrutural em matéria-prima, o elevado custo da energia elétrica, entraves regulatórios, concorrência desleal, mercado ilegal e falta de escala produtiva em segmentos estratégicos. O levantamento também indica a necessidade de melhorar a coordenação entre os diferentes órgãos públicos envolvidos em temas como matéria-prima, energia, crédito e regulação.
O estudo também destaca o papel da indústria química como cadeia habilitadora de diferentes setores da economia. O segmento atua diretamente em quatro das seis missões estruturantes da Nova Indústria Brasil (NIB): cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; complexo econômico-industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; e bioeconomia, descarbonização e transição energética.
Entre os insumos fornecidos pela indústria química estão fertilizantes, defensivos agrícolas e bioinsumos; Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e reagentes; resinas, polímeros, cloro e coagulantes utilizados em infraestrutura e saneamento; além de materiais e soluções voltados à transição energética, à bioeconomia e à reciclagem avançada.
Ao apresentar o estudo, o ex-presidente do BNDES e responsável pelo levantamento, professor Luciano Coutinho, afirmou que o Brasil reúne ativos capazes de favorecer a expansão da indústria química, como reservas de gás natural, matriz elétrica de baixa emissão, abundância de biomassa, biodiversidade e um amplo mercado consumidor.
“O desafio está em transformar essas vantagens em competitividade, por meio de maior coordenação das políticas industrial, energética, de crédito e regulatória”, afirmou Coutinho.
Segundo o estudo, o Brasil possui condições para transformar a necessidade de substituição de importações em uma oportunidade de desenvolvimento tecnológico e industrial, especialmente a partir de seus recursos naturais e de sua capacidade instalada. Entre as oportunidades identificadas estão o avanço da bioeconomia e o desenvolvimento de uma petroquímica de baixo carbono.
Para Coutinho, a recuperação da competitividade não deve se limitar a medidas de proteção comercial. “O objetivo precisa ser tornar o complexo químico brasileiro mais competitivo, com matéria-prima barata, crédito, energia e condições sistêmicas que permitam o desenvolvimento da indústria”, ressaltou.
A partir do diagnóstico, o estudo apresenta uma Agenda Estratégica para o fortalecimento do complexo químico brasileiro. Entre as principais propostas estão o aumento da oferta e da destinação do gás natural para uso petroquímico, o fortalecimento do suprimento doméstico de nafta, a expansão da produção de fertilizantes e IFAs, a melhoria e harmonização do ambiente regulatório, o combate à ilegalidade, a redução dos custos de energia e logística, a isonomia tributária e o fortalecimento da governança institucional.
As propostas serão compartilhadas com parlamentares e com os candidatos às eleições de outubro e são embasadas por um Manifesto e pela íntegra do estudo contratado pelo IDQ.
A agenda estratégica também propõe a criação do Grupo Executivo para o Desenvolvimento do Complexo Químico (GECQ), vinculado à Casa Civil da Presidência da República e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ser integrado ao próximo mandato.
Também está prevista a estruturação de comissões temáticas permanentes com participação do Congresso Nacional, governo, setor produtivo, entidades representativas e sociedade, com o objetivo de transformar o diagnóstico em propostas voltadas ao fortalecimento da indústria química e ao desenvolvimento econômico, tecnológico e social do País.
O estudo também considerou práticas adotadas por países como China, Japão e Estados Unidos para o desenvolvimento de suas indústrias químicas. Os resultados foram discutidos por representantes das entidades que integram o IDQ: Abiclor, Abifina, Abiquim, Abiquifi, Abrafati, CropLife Brasil e Conselho Federal de Química.
“O caminho que temos de percorrer passa pela aliança do setor e de toda a cadeia. Essa união é uma condição para que haja força política e para que a gente consiga superar a visão de que a indústria é um custo”, afirmou Marcelo Pimentel.
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