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Em meio à pressão por maior conectividade, interoperabilidade e decisões orientadas por dados no chão de fábrica, a indústria começa a discutir de forma mais madura novas arquiteturas para integração industrial em tempo real. Nesse cenário, o Unified Namespace (UNS) desponta como uma das abordagens mais debatidas por especialistas em transformação digital industrial.

Às vésperas do início da Copa do Mundo de 2026, o Museu do Futebol, em São Paulo, tornou-se palco de uma discussão que extrapolou o universo esportivo para tratar de um dos temas mais estratégicos da transformação digital industrial: a consolidação do Unified Namespace (UNS) como base para integração de dados no chão de fábrica. Promovido pela Aquarius Software e Westcon, com apoio da VDI-Brasil e produção executiva da MVBR Consulting, o 3º Encontro Técnico Cultural (ETC) reuniu, no último dia 12, especialistas de empresas como Petrobras, CBMM, Gerdau, NTS, VLI e Transpetro para discutir se o UNS ainda é apenas uma promessa tecnológica — ou se já se consolida como vantagem competitiva real para a indústria brasileira.
Sob mediação de Erik Maran, Diretor na Westcon, a discussão sobre o UNS utilizou o cenário esportivo para traçar paralelos diretos com a eficiência fabril. Maran reforçou que o sucesso na implementação de uma nova arquitetura tecnológica depende de princípios aplicados ao esporte, como planejamento de jogadas, coordenação entre os setores e engajamento constante da equipe.
Paulo Vitor Magacho, Engenheiro de Automação na Petrobras, resgatou a bagagem histórica da metodologia, criada pelo integrador norte-americano Walker Reynold, em 2005, pontuando que o Unified NameSpace ganhou força global a partir de 2015, impulsionado por ferramentas de larga escala. Sendo assim, o UNS está mudando a forma como as indústrias lidam com dados e os utilizam, simplificando e conectando processos em um mundo onde tudo, desde máquinas até softwares, precisa funcionar em harmonia.
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Magacho também celebrou o ETC como o primeiro fórum brasileiro a trazer esse entendimento de forma estruturada. A realidade do setor fabril demonstra forte inércia para validar novos padrões de engenharia, tornando eventos de disseminação culturais necessários para acelerar a inovação industrial do País.

Ricardo Caruso, Diretor técnico na Aquarius Software, comentou sobre a teoria do UNS como um único barramento capaz de comunicar sistemas em tempo real, esclarecendo a flexibilidade e afirmando a total aplicabilidade tanto em grandes corporações quanto em pequenos parques fabris, inclusive por meio de tecnologias open source.
Por outro lado, para garantir essa harmonia é preciso governança severa e proteção contra ameaças digitais. Kelvin Kamimura, Gerente de produtos na Westcon, chamou a atenção para os cuidados com a integridade dos dados na base única, recomendando o estabelecimento de um "contrato de dados" estruturado desde o dia 01, sob a gestão de squads responsáveis. O objetivo, segundo ele, seria eliminar o risco dos times utilizarem formatos conflitantes ao longo do projeto.
O especialista também solucionou dilemas sobre cibersegurança, explicando que contar com uma fonte única da verdade preserva o perímetro de proteção. No entanto, a abordagem exige a manutenção de firewalls robustos, segregação física de redes e total observância às normas tradicionais de TI e OT.
A maturação desse paradigma técnico exige, primeiramente, a desmistificação de conceitos básicos. Edmur Rios, Gerente de tecnologia industrial na CBMM, caracterizou o modelo como a peça central de um quebra-cabeça, funcionando como o backbone que extrai dados do chão de fábrica para compartilhar entre diferentes arquiteturas. Rios também comenta sobre o planejamento da CBMM: "Em 2025 fizemos uma prova de conceito para identificar as vantagens que esse novo modelo traz, e agora chegou a vez de iniciar a implementação com um prazo de conclusão de 05 a 07 anos”, diz.
A responsabilidade do UNS é consolidar-se como o alicerce definitivo para a maturidade da Indústria 4.0. Ao substituir a rigidez da pirâmide tradicional de automação por um ecossistema horizontal e integrado, as empresas pavimentam o rumo para decisões assertivas. Agora, resta aos líderes e especialistas decifrarem as regras desse novo jogo de dados, aprofundando pesquisas e convertendo esses conceitos em vantagens competitivas reais dentro de suas próprias plantas.
▶ O que é Unified Namespace (UNS)?
Ricardo Caruso explica o conceito e sua aplicação na indústria.
https://youtube.com/shorts/QzKn2Us2oCY
▶ UNS na prática e competitividade industrial
Westcon mostra como conectar dados e gerar valor com o conceito.
https://youtube.com/shorts/skoJBLTXG6E
▶ Tecnologias falando a mesma língua
CBMM aborda integração de dados e interoperabilidade industrial.
https://youtube.com/shorts/Tv6nTl95gMQ
*A jornalista acompanhou o evento a convite da Aquarius Software.
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