Brasil pode agregar R$ 1 trilhão ao PIB com transição energética eficiente

Estudo contratado pela Abrace Energia e conduzido pela PwC Strategy& aponta caminhos para que o país faça da transição energética um fator para transformar a sociedade brasileira

Um estudo inédito realizado pela PwC Strategy&, a pedido da Abrace Energia, aponta os caminhos necessários para que a transição energética seja um fator de transformação da sociedade e da economia brasileira. O levantamento destaca que a transição não deve ser encarada como um fim em si mesma, mas como um meio para impulsionar a descarbonização e o desenvolvimento econômico e social do Brasil. “Diferentemente da maioria dos programas e políticas atuais, que focam apenas na oferta de energia, o estudo enfatiza a importância de estimular a demanda para viabilizar um novo ciclo de industrialização no país”, explica Paulo Pedrosa, presidente da Abrace Energia.

O estudo da PwC destaca que o Brasil tem condições privilegiadas para se tornar um hub global de descarbonização, especialmente diante da matriz elétrica limpa e do potencial para exportação de produtos industriais de baixo carbono. A realização da COP30 no Brasil também se apresenta como uma oportunidade única para firmar acordos internacionais e atrair investimentos para setores industriais sustentáveis.

Apesar das vantagens, o Brasil enfrenta desafios estruturais que comprometem sua competitividade industrial. Nos últimos 25 anos, o crescimento do PIB brasileiro foi em média de apenas 2% ao ano, e 70% das exportações do país ainda são baseadas em commodities. Paralelamente, a participação da indústria no PIB tem caído desde 1985. No setor energético, encargos e subsídios representam até 70% do custo final da energia elétrica, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras.

O estudo aponta que, para mudar esse cenário, é necessário um pacto nacional envolvendo setor público, privado e sociedade civil, com a adoção de medidas estruturais, tais como:


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• Desburocratização e simplificação tributária;
• Regulação do mercado de carbono e criação de mecanismos de ajuste de fronteira;
• Políticas para eletrificação industrial;
• Redução do custo de capital e estímulo ao financiamento da transição;
• Investimentos em infraestrutura e incentivo às cadeias produtivas nacionais;
• Diminuição dos encargos do setor energético para aumentar a competitividade da indústria.

Caso as medidas propostas sejam implementadas, o impacto sobre a economia nacional pode ser expressivo. O estudo estima um acréscimo de R$ 1 trilhão ao PIB, a geração de 3 milhões de empregos até 2030, um aumento de 10 GWm no consumo elétrico e a redução de 100 milhões de toneladas de CO² na atmosfera.

“A transição energética pode ser a chave para a reindustrialização do Brasil. No entanto, para que isso aconteça, é fundamental que o país olhe para o lado da demanda e crie condições reais para o crescimento da indústria”, destaca Pedrosa. O estudo pode servir como base para a formulação de políticas que fortaleçam a competitividade do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono.

*Imagem de capa: Depositphotos.com