Remessa de lucros do setor automotivo ultrapassa US$ 800 milhões em 2021; maior remessa em 8 anos

Dados do Banco Central apontam para maior remessa de lucros do setor automotivo nos últimos 8 anos, mesmo com os impactos da pandemia, segundo publicação do Automotive Business. Empresas do setor automotivo, incluindo montadoras, sistemistas e autopeças instaladas no país, cresceram 37% em 2021, em relação ao ano anterior.  No período, foi enviada uma remessa total de US$ 857 milhões, segundo dados do Banco Central.

Na sexta posição dentre os setores que mais enviaram lucros às matrizes, o setor automotivo ficou atrás somente da indústria de produtos químicos (US$ 1,9 bilhão), metalurgia (US$ 1,8 bi), equipamentos eletrônicos (US$ 1,3 bi), bebidas (US$ 1,2 bi) e alimentos (US$ 1 bi), de acordo com os dados do Banco Central.

"No ano passado, houve fechamento de unidades, paralisações, redução de turnos. Tudo isso aumentou o custo produtivo e, por consequência, reduziu a rentabilidade. O que está acontecendo é efeito do aumento do tíquete médio dos veículos vendidos aqui, que estão posicionados em segmentos que oferecem maiores margens”, disse Fernando Trujillo, consultor para o setor automotivo da Standard & Poor’s Global Mobility.

A produção de SUVs apresentou 43% do mix de vendas total, segundo a Fenabrave. Este é o segmento que apresenta maior volume de lançamentos nacionais e maior margem de lucro às fabricantes.

A pandemia afetou o caixa das matrizes, limitando o socorro às subsidiárias brasileiras que enfrentavam problemas com fluxo de caixa e pagamento de fornecedores, exemplifica a reportagem. Sendo assim, caiu pelo quarto ano consecutivo o envio de empréstimos das matrizes às subsidiárias brasileiras, diz o Automotive Business. O Banco Central aponta que, no ano passado, os desembolsos intercompany chegaram a US$ 6,7 bilhões, 23% a menos do que em 2020. 


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“Nos últimos anos as operações locais tiveram de adotar estratégias que buscassem de certa forma uma maior independência das matrizes em termos de recursos. Houve mais cobrança por rentabilidade em vez de maiores volumes de empréstimos para custear as operações locais”, disse Trujillo.




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