Logogrupocimm-fundoescuro

Por que os cibercriminosos estão mirando na indústria da construção civil?

Saiba por que a construção civil tem se tornado alvo do cibercrime e como proteger suas obras de golpes de ransomware, BEC e outros.

Se antes a construção civil se resumia a concreto, guindastes e inspeções de obras, hoje ela depende fortemente de ferramentas modernas, como softwares em nuvem, sistemas ERP, e plataformas de colaboração remota. Com essa transformação digital, ela ganhou eficiência e produtividade, mas, por outro lado, também se tornou um alvo atraente para os cibercriminosos.

Na mira do cibercrime

Atualmente, as construtoras são constantemente visadas por grupos de ransomware e golpes de comprometimento de e-mail comercial (BEC). O motivo é que o setor oferece uma combinação perfeita de fatores: pagamentos de alto valor, urgência operacional, equipes fragmentadas e práticas de segurança cibernética geralmente inconsistentes.

Complexidade que fragiliza

Projetos de construção raramente envolvem uma única empresa. Um grande projeto pode incluir arquitetos, consultores de engenharia, subempreiteiros, fornecedores, equipes jurídicas, fornecedores de equipamentos e parceiros financeiros.

O problema disso é que cada parceiro externo cria um novo ponto de entrada em potencial. Os cibercriminosos sabem que, embora uma grande empreiteira possa ter proteções adequadas que as subempreiteiras menores geralmente não possuem. Assim, um e-mail de phishing enviado a um fornecedor ou um sistema de faturamento comprometido pode ser a porta de entrada perfeita.

Grandes pagamentos

A construção civil envolve movimentação financeira constante: são pagamentos a fornecedores, faturas de etapas, folha de pagamento, contratos de aquisição, transferências de clientes. Tudo isso torna o setor especialmente vulnerável a ataques BEC, onde os golpistas se fazem passar por executivos, fornecedores ou gerentes de projeto e solicitam alterações urgentes de pagamento. Como os prazos são apertados e os fluxos de trabalho de pagamento são rápidos, essas solicitações fraudulentas podem ser aprovadas antes da verificação e, assim, gerar perdas de dezenas ou centenas de milhares de reais.

Risco humano

Ao contrário de setores com escritórios centralizados, as equipes de construção civil são altamente distribuídas, com funcionários trabalhando em locais diversos, como a sede, canteiros de obras, escritórios temporários, hotéis e instalações de clientes. Além disso, as equipes compartilham arquivos, aprovam contratos e acessam plataformas comuns por meio de laptops, tablets e smartphones de modo contínuo. 


Continua depois da publicidade


Isso cria desafios de segurança, como manejamento de dispositivos não seguros, uso de senhas fracas, atualizações de software inconsistentes e, principalmente, exposição a redes Wi-Fi públicas. Um gerente de obra que, por exemplo, baixa plantas da conexão aberta de um restaurante ou hotel pode, sem saber, expor credenciais de login ou arquivos de projetos confidenciais.

Uma medida comumente adotada para mitigar esses problemas são as VPNs. Equipes que acessam plantas, sistemas ERP ou documentação de projetos remotamente devem usar conexões criptografadas para reduzir os riscos de interceptação. Diante dos prejuízos potenciais de um vazamento de dados, o preço da VPN se configura como um investimento inegável.

Sem tempo a perder

Outra vulnerabilidade é o fator tempo. Para muitos setores, um ataque cibernético é problemático. Para a construção civil, ele pode ser simplesmente catastrófico.

Se um ataque de ransomware bloquear o acesso a cronogramas de projetos, arquivos BIM ou ferramentas de controle de custos, os projetos podem ser interrompidos imediatamente. Isso é fatal porque atrasos são extremamente dispendiosos na construção civil. O não cumprimento de prazos pode acarretar penalidades contratuais, atrasar as equipes subsequentes e gerar disputas com os clientes.

Os cibercriminosos entendem essa pressão e sabem que as construtoras são mais propensas a pagar resgates rapidamente, pois cada hora offline se traduz em enormes prejuízos financeiros. A média dos valores solicitados nesse golpe é de R$ 2 milhões.

Foco na cibersegurança

Nesse contexto, a segurança cibernética não pode mais ser tratada como um problema exclusivo do departamento de TI. Para o setor da construção civil, ela se tornou um sinônimo de proteger a continuidade dos projetos, das operações financeiras e dos dados sensíveis. Isto é: uma prioridade de negócios.

No cenário de ameaças que se impõe atualmente, apenas as empresas que investem desde cedo em treinamento, acesso remoto seguro e sistemas resilientes poderão sobreviver.