por Gabriela Pederneiras*    |   30/09/2021

Como economizar na usinagem a partir de uma melhor gestão das ferramentas de corte

Cálculos que podem parecer básicos, ajudam as empresas a diminuírem custo com máquina parada e aumentar a vida útil de ferramentas de corte.


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De acordo com uma pesquisa da U.S. Cutting Tool Institute (USCTI) e da AMT – The Association For Manufacturing Technology, o consumo de ferramentas de corte nas indústrias norte-americanas totalizaram, somente em abril de 2021, US$170 milhões. Para se ter uma ideia, estima-se que no final da vida útil de um equipamento de usinagem, cerca de 7 a 10 vezes do seu valor inicial será gasto com ferramentas. 

Para corroborar com a questão do custo com ferramentas de corte em equipamentos de usinagem, calcula-se que cerca de 20% a 25% do custo inicial de uma máquina é investido em ferramentas que possibilitem que ela opere da forma adequada. 
 
Existem alguns gastos que são inevitáveis: não é possível não investir nos ferramentais certos que permitem a operação de processos de usinagem. Porém, existem outros que podem ser evitados, principalmente no que diz respeito à vida útil das ferramentas de corte. 

Como economizar na usinagem com ferramentas de corte?

Alguns processos podem parecer óbvios para as indústrias que têm o gerenciamento de ferramentas mais controlado, mas eles são de extrema importância para redução de custos. Francisco Marcondes, professor e especialista em marketing - com longa trajetória no mercado de ferramentas, inclusive, defende que justamente por parecer básico, esses processos correm mais risco de serem negligenciados - o que traz mais custo para a usinagem. 

A primeira questão que ajuda a economizar na usinagem é determinar a velocidade de corte ideal. O conceito de “velocidade econômica”, desenvolvido por Taylor, define que é possível determinar o intervalo de máxima eficiência para a velocidade de corte. 

Em produções em massa esse conceito tem uma melhor aplicabilidade, pois permite maior produtividade, aliada a conservação dos equipamentos e menos tempo de máquina parada. Para tal, é preciso saber qual a velocidade de mínimo custo, ou seja, qual o mínimo que as máquinas podem fabricar em um determinado período de tempo para se tornarem rentáveis.


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Não é recomendado que se fabrique peças abaixo desse mínimo, uma vez que, nesse caso, o custo hora/máquina dos produtos finais se torna mais elevado. Portanto, a primeira regra de ouro é sempre garantir que a usinagem esteja fabricando acima do mínimo custo. 

Porém, é preciso determinar o limite de peças fabricadas. Isso porque, se a velocidade de produção for muito acelerada, o desgaste das ferramentas de corte tendem a ser maiores, necessitando de mais reposição e, consequentemente, hora de máquina parada. Além disso, com as ferramentas desgastadas é possível que as peças finais não tenham a qualidade de acabamento esperada. 

Com esses cálculos, é possível, também, determinar as ferramentas ideais para a produção. Caso a usinagem dê origem a um grande lote de peças, as ferramentas de corte terão que ser mais resistentes para aumentar a velocidade de produção, sem aumentar o custo com ferramental. 

Agora, se a produção for menor, as peças podem ser menos resistentes e mais personalizadas. O investimento no perfil correto de ferramenta de corte é essencial para aumentar a produtividade, sem implicar em maiores custos.

Gestão de ferramentas como solução de economia

No entanto, com a otimização de funções dentro das indústrias, um gerente de ferramentas passou a acumular funções. De acordo com um artigo de José Luiz Polis, especializado em processos de produção, "os técnicos ou engenheiros de processos das empresas (em número de pessoas bem menor que outrora) são os responsáveis pelo produto desde o desenvolvimento e criação até o acompanhamento após try-out na produção”. 

“Simultaneamente estes profissionais são responsáveis também por monitorar as capacidades das máquinas operatrizes, desenvolver e acompanhar processos, checar as condições dos dispositivos de fixação, fazer orçamentos, calcular tempos de usinagem, fazer balanceamento de linhas, desenvolver e solicitar a compra dos meios de inspeção, utilizar as ferramentas da qualidade para solucionar problemas, preencher os requisitos exigidos pelas normas da qualidade, receber visitantes, realizar testes de fabricação, participar de reuniões e obviamente cuidar das ferramentas de corte”, escreveu Polis.

Com esse acúmulo de funções, cálculos que poderiam parecer básicos, como os que estipulam a quantidade de peças que uma ferramenta de corte consegue produzir sem prejudicar sua produtividade e vida útil, acabam passando batido.

Portanto, mais do que ter o conhecimento sobre como reduzir os custos de usinagem, é preciso investir em profissionais ou setores que possam fazer a gestão das ferramentas. Assim, é possível, entre outras coisas:

  • Adquirir as ferramentas certas de acordo com a produção;
  • Garantir os parâmetros  adequados para manter o melhor custo-benefício;
  • Fazer o controle da vida útil das ferramentas de corte;
  • Garantir a qualidade das peças produzidas;
  • Entender o melhor momento para manutenções e trocas;
  • Ter o controle do estoque e do que está perto de se tornar obsoleto.

Ter o controle de tudo isso permite que as indústrias tenham insumos para tomar as melhores decisões e aumentar sua produtividade, o que, consequentemente, diminui os custos. 

*Artigo desenvolvido com exclusividade para a Adeptmec.

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As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.

Gabriela Pederneiras*

Redatora, Jornalista e Assessora de Imprensa.


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