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Startup cria método de inspeção não destrutiva que usa calor e câmeras infravermelhas para enxergar o interior de materiais

Solução foi desenvolvida pela Subiter, nascida no ITA, com apoio do Pipe da Fapesp

Imagine a asa de um avião ou o casco de um iate. Por fora, a superfície é polida e robusta, mas, em camadas que o olho humano não alcança, podem existir microfissuras, bolhas de ar ou infiltrações de umidade. Essa diferença invisível pode separar uma viagem tranquila de um acidente catastrófico. Até pouco tempo atrás, garantir essa segurança exigia a destruição de peças para a análise de seu interior. A indústria aeronáutica brasileira precisava de uma solução mais eficiente. A resposta veio da startup Subiter, nascida no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP).

Liderada pelo engenheiro mecânico Eduardo Novais, a empresa desenvolveu, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fapesp, uma solução com termografia ativa, um método de inspeção não destrutiva que usa calor e câmeras infravermelhas para enxergar o interior de materiais. “Somos a única empresa do hemisfério Sul a usar a tecnologia dessa forma para tornar visível aquilo que antes exigia cortes, radiação ou longas horas de inspeção”, explica Novais.

Ensaios não destrutivos permitem avaliar a integridade de materiais sem danificá-los. Essa abordagem é decisiva em setores em que falhas internas podem ter consequências graves: na indústria aeronáutica, por exemplo, uma descontinuidade estrutural pode evoluir para um problema crítico durante o voo. O mesmo vale para cascos de embarcações, componentes estruturais de trens ou pás de turbinas eólicas, submetidas a esforços contínuos.

A peça é aquecida de forma controlada e uma câmera infravermelha monitora como o calor retorna à superfície. Quando o material é homogêneo e íntegro, o calor se dissipa de maneira previsível. Se há uma falha interna (como delaminações, vazios ou descontinuidades), o fluxo térmico se altera e o calor revela essa irregularidade. O software da Subiter analisa essas variações e diagnostica a saúde da peça.


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A tecnologia é especialmente valiosa para materiais compósitos — aqueles formados pela combinação de dois ou mais materiais e que resultam em estruturas leves e resistentes —, como fibra de carbono e fibra de vidro. Eles dominam fuselagens de aeronaves, cascos de iates e lanchas, pás eólicas e outros componentes estruturais de alto desempenho.

Salto tecnológico

Entre as vantagens da termografia ativa está o fato de todo o processo ocorrer sem contato físico com a peça, o que garante que não haja comprometimento da integridade do material nem da saúde do operador. Além disso, é possível inspecionar áreas da ordem de metros quadrados em poucos minutos e obter registros digitais completos.

Com isso, apesar de o preço do equipamento ser equiparável ao de sistemas de ultrassom, a produtividade é superior — um fator decisivo na prática industrial. A análise de estruturas extensas (como um casco de embarcação ou uma pá eólica) com ultrassom pode levar de 12 a 20 vezes mais tempo do que com a termografia ativa. Isso altera profundamente o custo final do processo.

Enquanto a certificação de especialistas em ultrassom requer centenas de horas, a termografia ativa tem interfaces amigáveis e exige menor grau de especialização técnica. Isso não elimina a necessidade de profissionais qualificados, mas torna o processo mais acessível e escalável. A economia aparece no tempo de inspeção, na redução de necessidade de mão de obra altamente especializada e na possibilidade de inspecionar 100% das peças — não apenas amostras.

A Subiter tem um aparelho portátil (para inspecionar, por exemplo, pás eólicas já montadas ou embarcações posicionadas em estaleiros e marinas) e um fixo, instalado na linha de produção. Ambas as opções são sincronizadas com o software que registra, processa e armazena os dados.