Como ações ESG podem impulsionar a política das mineradoras no Brasil

Impactos sociais e ambientais da atividade são os maiores desafios e prejudicam a imagem do setor perante a população.

De acordo com dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicados pelo portal G1, o setor de mineração desmatou 405,36 km² da Amazônia Legal em cinco anos. O total desmatado equivale a mais de 40 campos de futebol. Esse movimento teve uma aceleração entre 2019 e 2020, chegando ao pico em maio de 2019, quando 34,47 km² foram desmatados. 

Juntando o desmatamento com outros impactos ambientais e sociais das mineradoras, como as famosas quedas de barragem e a mudança da rotina de quem mora perto dos lugares de extração e tratamento, essas empresas tendem a ter uma reputação ruim entre a população.

Para minimizar os riscos à imagem e aumentar a credibilidade perante o mercado, executivos de mineradoras têm se preocupado mais em adequar ao conceito de ESG, sigla em inglês para princípios ligados ao ambiental, social e à governança

Estudo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Abreje) mostra que  95% das empresas brasileiras têm o tema como prioridade. Entre elas, 58% acreditam verdadeiramente na importância do assunto, 62% esperam causar um impacto positivo na sociedade e 24% falam de ESG para atender expectativas de investidores. 

ESG no setor de mineração

A EY, empresa de consultoria e auditoria, em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), ouviu os executivos das dez principais mineradoras atuantes no Brasil. A conclusão é que o tema ESG tem avançado na agenda desses líderes, principalmente após o avanço da pandemia de Covid-19 - o que culmina com os piores anos de desmatamento da Amazônia Legal por empresas do setor. 

Os executivos acreditam que as empresas precisam melhorar sua imagem e reputação perante a população. Os impactos ambientais, sociais e a governança são agendas obrigatórias para isso. 


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“Ao falarmos em ESG em nosso setor, estamos tratando de iniciativas muito concretas, com metas, ações e métricas que podem ser acompanhadas por toda a sociedade: usar menos água; priorizar recursos renováveis para gerar energia; respeitar e ouvir as comunidades; preservar o meio ambiente; desenvolver excelência em governança e em segurança operacional, entre outros pontos”, disse o diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann, em comunicado oficial da pesquisa. 

Dentro da sigla ESG, impacto social ainda é dono das principais preocupações dos líderes das empresas, seguido por questões de biodiversidade (muito focadas na descarbonização) e, por fim, a governança das empresas. 

O relatório conclui que planejamento e articulação com população e governo são as principais ações para aprimorar as atividades ESG das mineradoras e, assim, impulsionar a reputação dessas empresas. 




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