Vida profissional e Burnout: Empresas precisam buscar equilíbrio


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O conceito de “trabalho e dedicação” é constantemente disseminado pela sociedade. No entanto, o empenho em excesso no ambiente profissional tem o potencial de acarretar diversos problemas entre os colaboradores de uma empresa.

De acordo com Dani Costa, mentora, palestrante e autora do livro “Você é o caminho”, em que conta como superou a síndrome de burnout, um distúrbio emocional que é reconhecido a partir da exaustão extrema, estresse e esgotamento mental que acontecem em situações de trabalho desgastantes ou competitivas, as empresas precisam adotar um método de produtividade mais consciente.

“Esse termo se aplica quando todas as atividades e processos possuem clareza de propósito, com os colaboradores sabendo seu exato papel na execução. A rotina de trabalho deve ser alinhada e discutida em grupo, de acordo com a visão sistêmica do grupo para priorizar o bem-estar geral de todos”, relata.

Para a escritora, oferecer benefícios como dias de folga e os chamados “salários emocionais” podem ser uma solução viável para as empresas. “As pessoas não estão mais dispostas a colocar a saúde em risco em razão do trabalho, sabem da existência da produtividade destrutiva, que as colocam em situação de desonra tanto do ponto de vista energético, quanto financeiro, profissional e emocional. Hoje, elas escolhem pela qualidade de vida”, declara.

Dani Costa ainda revela que implementar políticas de prevenção é menos custoso do que afastar um colaborador. “O colaborador afastado por burnout não é produtivo para ninguém. É prejudicial tanto para ele mesmo, que chegou no limite do desgaste e esgotamento, quanto para a empresa que diante do afastamento não consegue dar vazão às atividades ou mesmo substituir aquele colaborador de forma eficiente. Isso pode causar um efeito dominó, reverberando para os demais membros da equipe”, pontua.


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Não existe um estudo que indique quais profissões são as mais afetadas pelo quadro, mas a mentora acredita que alguns profissionais têm uma tendência maior a desenvolver o burnout. “Qualquer profissão está suscetível a isso, mas, sem dúvidas, jornalistas, médicos, psicólogos e bancários devem estar atentos a sua saúde psicológica nesse momento”, alerta.

De acordo com a autora, profissionais que já sofreram por conta dessa síndrome devem levar uma vida mais regrada e priorizar a si mesmos. “É preciso realizar um reajuste completo na rotina. Quem passou pelo burnout normalmente não consegue se manter no mesmo ritmo de trabalho, levando a mudanças de profissão ou de ambiente no trabalho. A pessoa deve se priorizar, visando seu próprio bem estar”, finaliza.

Equilíbrio

O acúmulo de problemas nas diferentes esferas da vida também merece anteção. Mas, afinal, tem como separar totalmente a vida pessoal da profissional? Para o administrador especialista em Alta Perfomance Emocional Empresarial, Flávio Sanches, a resposta é não.

“Aquele conceito de não deixar seus problemas pessoais entrarem na empresa e de não levar para casa os problemas do trabalho não se sustenta porque não é possível. A gente não aperta um botão quando entra na empresa e todos os nossos desafios e problemas familiares são pausados”, afirmou.

Como pós-graduado em psicologia, Flávio começa explicando que cada profissional tem suas relações pessoais e profissionais, e que não é possível anular o que se é ou o que se vive como em um passe de mágica.

O especialista explica que todos nós somos criados e formados para estudar, fazer faculdade, pós-graduação, abrir uma empresa, trabalhar para alguém ou ser servidor público. “Esse é o conceito de vida. Nós somos criados para isso. Só que quanto mais nós somos preparados para isso, nós deixamos a nossa vida pessoal um pouco de lado”, disse.

Para o administrador, a melhor forma de, de fato, administrar os dois lados da vida  é através do equilíbrio. “Nós precisamos colocar numa balança. O momento em que nós começamos a perceber que nós somos vida profissional e pessoal ao mesmo é quando começam os desafios”, disse.

Para o especialista, estamos o tempo inteiro trocando os posicionamentos de pessoa física e pessoa profissional. “Como eu acordo e como estou está totalmente ligado a como a minha vida profissional é. A base do profissional é o ser humano, para que a gente possa ter resultados muito melhores, precisamos estar conectados com nós mesmos”, disse.




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