Fabricante de autopeças investe R$ 100 milhões em produtividade

Fábricas de São Paulo e Paraná da NTN-SNR ganham novas linhas de rolamentos e juntas homocinéticas.


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A fabricante de rolamentos automotivos NTN-SNR está em uma nova fase de atuação no Brasil: a empresa investe R$ 100 milhões no período 2011-2014 para a ampliação e aumento da capacidade produtiva de suas duas fábricas no País – a de rolamentos, localizada no município Fazenda do Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba (PR), e a de juntas homocinéticas, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. A estratégia inclui ainda o ingresso da empresa no mercado de reposição automotiva na América Latina.
 
Metade do aporte já foi utilizada nos últimos três anos na unidade paranaense, cuja capacidade mais que dobrará, de 2,2 milhões de peças por ano para 4,5 milhões/ano a partir de outubro deste ano, quando está previsto o término da ampliação. A planta, que emprega 168 funcionários, já trabalha em três turnos e deverá aumentar o número de postos de trabalho, mas a empresa ainda não definiu para quando subirá sua força de trabalho. Já a planta paulista, onde também são fabricados semieixos, recebeu o mesmo nível de investimento para reiniciar a produção de juntas homocinéticas, que passará da capacidade atual de 400 mil peças/ano para 1,2 milhão/ano a partir de 2014, e de dois para três turnos de trabalho.
 
No Brasil, desde 2000, o projeto de produção da SNR começou com a implantação da fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR), cidade vizinha de Fazenda do Rio Grande. A empresa também de origem francesa já pertenceu à Renault, que vendeu 50% de sua participação em 2007 para o grupo japonês NTN, que por sua vez adquiriu 100% dos papéis em março, no fim do ano fiscal 2012-2013. 
 
O diretor geral da NTN-SNR do Brasil, Stéphane Grande, revela que o aumento da demanda da indústria e novos contratos geraram a necessidade de ampliação e aumento da capacidade de produção de rolamentos. A empresa é responsável por 100% do fornecimento da peça para Toyota Etios e Ford EcoSport e da versão hatch do New Fiesta, que é produzido em São Bernardo do Campo (SP). Para esses três modelos, a NTN-SNR produz os rolamentos chamados de terceira geração, componente do sistema de freios ABS, já bastante difundido na Europa, Estados Unidos e Japão. A empresa, a primeira a fabricar este tipo de rolamento aqui, já negocia o fornecimento para outras marcas que utilizam a mesma tecnologia em outros mercados, como é o caso da Nissan, cuja fábrica no Brasil está em fase de construção.
 
“Nossa meta é conquistar 25% do mercado de rolamentos até 2014”, diz Grande. 
 
O rolamento de terceira geração foi o que mais demandou investimento na fábrica de Fazenda do Rio Grande. A primeira linha que começou a funcionar em maio de 2012 realiza os processos de retífica e montagem geral da peça, cujas partes são importadas de outras unidades da NTN-SNR no mundo, como as de aço fundido e de e sistema eletrônico, que vêm do Japão, além da matéria prima para os rolamentos trazidos da França. Uma segunda linha idêntica à primeira está sendo montada na mesma fábrica e a estimativa é que comece a operar em setembro deste ano. Ela atenderá exclusivamente o Ford New Fiesta, enquanto que a outra linha produzirá para EcoSport e Etios. As duas linhas juntas terão capacidade para produzir 1 milhão de rolamentos por ano e a projeção é de que em 2013 a empresa entregue 600 mil unidades de rolamentos de terceira geração.
 
Outra parte do investimento na unidade foi para o novo centro de logística e distribuição que será inaugurado no fim deste mês. A planta paranaense, que também fabrica rolamentos de primeira geração (dos tipos contato angular e icônico para aplicação em eixos dianteiros e traseiros) e de segunda geração (com função de cubo de roda), atende as principais montadoras no País, como Citroën, Fiat, Ford, General Motors, Honda, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen. 
 
Tecnologia importada
 
Mesmo com o Inovar-Auto, que exige aumento de conteúdo local e inovação tecnológica, a NTN-SNR pretende continuar, pelo menos por enquanto, com sua estratégia de desenvolvimento em um de seus centros de pesquisa (P&D) localizados na Europa, Japão, América do Norte e China. Segundo Grande, a decisão das montadoras por veículos cada vez mais globais ajuda a empresa a trazer para o Brasil tecnologias desenvolvidas lá fora, como é o caso do rolamento de terceira geração.
 
“Plataformas globais têm utilizado componentes desenvolvidos por fornecedores que na sua maioria permanecem quando esses veículos são renovados ou reestilizados. Aqui no Brasil já utilizamos o know-how do grupo em soluções para o mercado interno, como a linha de rolamentos de terceira geração que está no Paraná: foi planejada com o que há de mais moderno e tecnológico no Japão e Europa”, explica. 
 
Contudo, o executivo informa que há um plano de localização em andamento, para nacionalizar parte do conteúdo importado, que hoje representa 15% de todo o material utilizado na produção de rolamentos. Ele revela que há negociações com a Gerdau, por exemplo, para o fornecimento de aço para os rolamentos, além de conversas com empresas do setor de forja. 
 
“Sabemos que precisamos evoluir, mas já estamos desenvolvendo fornecedores locais que possam atender tanto Curitiba quanto Guarulhos, incluindo os rolamentos de terceira geração”, afirmou. 
 
A empresa informa que foi a responsável pela criação e desenvolvimento do sistema eletrônico utilizado nos rolamentos de terceira geração, que substituiu a partir de 2008 o sistema mecânico que formava a primeira versão deste rolamento para freios ABS. 
 
“Hoje, toda montadora cujos veículos têm sistema ABS usam nosso sistema eletrônico, que foi usado primeiro no Japão, por Nissan e Honda”, lembra. 
 
Aftermarket
 
A estratégia de expandir os negócios no Brasil também parte do ingresso da NTN-SNR no mercado de reposição. Hoje, a empresa que contabiliza fatia de 5% neste mercado planeja atingir os 15% de participação até 2015, conta o vice-presidente global da divisão de aftermarket da NTN-SNR, Eric Malavasi. O executivo diz que uma reunião mundial da divisão realizada em maio deste ano definiu o objetivo de desenvolver o setor de reposição automotiva em um plano global.
 
“A ideia é utilizar as práticas de vendas automotivas com base na experiência que o grupo adquiriu na Europa, já que no Japão o mercado de aftermarket não existe, limitando-se apenas às concessionárias. No Brasil, a estratégia inicia no conhecimento para entender o mercado e apontar potenciais clientes”, explica.
 
O executivo de vendas de aftermarket no Brasil, Roger Lima, acrescenta que a NTN-SNR já desenvolve um trabalho com redes de distribuição em São Paulo.
 
“Temos uma estreita relação de anos com a rede Cobra, que atua em São Paulo, e com a DPK, de Campinas. Estamos começando por aí, reforçando as parcerias para só então partir para mais clientes, sempre focando em qualidade e atendimento”. 
 
Projeções do grupo revelam estimativas de que a divisão no Brasil fature US$ 10 milhões em cinco anos. No faturamento global do grupo NTN Corporation, que no ano passado chegou a € 4,94 bilhões, a divisão de reposição representou 21%, enquanto a do mercado original (OEM), 50%, perfazendo um total de 70% de participação do setor automotivo nos ganhos do grupo. Além de montadoras, a empresa fornece peças e componentes para os setores industrial e aeroespacial.
 
Por Sueli Reis/ Automotive Business



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