Boeing nunca esteve em tão boa forma, diz presidente da companhia

Fonte: Folha de São Paulo - 18/06/07

O presidente da Boeing, James McNerney, afirmou que a fabricante americana de aviões "nunca esteve em tão boa forma" e previu uma rápida recuperação da companhia concorrente, a européia Airbus, "que demonstra sinais de que a situação melhora".

Em entrevista publicada hoje pelo jornal francês "Le Monde" às vésperas do início do Salão Internacional da Aeronáutica e do Espaço de Le Bourget, ao norte de Paris, McNerney disse que a Boeing "recuperou sua confiança, seus resultados", e que seus aviões "correspondem bem ao que o mercado espera".

O presidente da Boeing ressaltou que o ciclo econômico positivo da aeronáutica ainda não chegou ao fim, já que as companhias aéreas da Ásia e do Oriente Médio tomaram a dianteira e as da Europa e dos Estados Unidos "as seguirão".

McNerney minimizou a importância da crise passageira pela qual passa sua concorrente, resultado de uma situação pontual.

O dirigente da Boeing garantiu que a empresa não tem a mesma dependência financeira que a concorrente, cujos responsáveis se queixam regularmente das dificuldades que representa a valorização do euro frente ao dólar.

"Acho que a força do euro transformará a Airbus em uma empresa mais competitiva. Deve adaptar seu sistema de produção e de engenharia a condições monetárias difíceis. A Airbus sairá mais forte do que foi nos últimos 30 anos", disse.

O presidente da Boeing disse ainda que um terceiro grande ator romperá a bipolaridade das duas principais fabricantes de aviões do mundo, mas não em menos de dez anos.

"De todos os países possíveis, acho que (este grande ator) será a China, que está adquirindo as aptidões e que tem muitas vantagens sob o ponto de vista da concorrência para fabricar aviões", afirmou.

Segundo McNerney, a Boeing tem "muitas atividades no país", mas, ao contrário da Airbus, não optou por "implantar uma linha montadora" na China. "Nossa colaboração fornece mais valores e empregos", acrescentou.

McNerney disse ainda que têm acordos de colaboração com a indústria russa e mostrou-se disposto a participar da reorganização do setor, acrescentando, no entanto, que não pretende fazer isto por enquanto.

Sobre o principal desafio atual da empresa, o lançamento do 787, o presidente da Boeing mostrou confiança em que conseguirá respeitar os prazos previstos.

Apesar de ter confessado que desconhece o modelo final do concorrente A350, McNerney afirmou que, pelo que sabe, está entre o 787 Dreamliner e o 777, e, por isso, a Boeing teria "duas famílias para responder a esta nova oferta".

O presidente da companhia americana acrescentou que os clientes exigem "um salto tecnológico" nos modelos substitutos do 737, o que demanda "tempo e progressos significativos nos materiais, principalmente nos componentes dos motores", que poderão ser vistos a partir de meados da próxima década.

Tópicos: