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Angela Gheller | 29/04/2026
Notícias
IA e nuvem são a base da nova manufatura, mas a digitalização dos processos é o primeiro passo
Em minhas conversas com líderes da indústria, uma pergunta é recorrente: 'Como dar o próximo passo na transformação digital?'. A resposta, cada vez mais, aponta para uma combinação poderosa: a inteligência artificial como cérebro da operação e a tecnologia em nuvem como a infraestrutura que a sustenta. No entanto, para a manufatura brasileira, essa jornada de inovação exige, primeiro, uma lição de casa fundamental: a digitalização consistente dos seus processos.
Um dos principais desafios para essa jornada foi mapeado na segunda edição do Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) de Manufatura (2024), estudo encomendado pela TOTVS e executado pela H2R Insights & Trends. O levantamento, que avalia o nível de produtividade tecnológica das indústrias brasileiras, revelou que apenas 37% das empresas do setor possuem soluções como MES para a automação e coleta de dados do processo de fabricação.
Sem essa base, a implementação de uma IA eficaz é como construir um telhado sem antes ter as paredes da casa, pois a tentativa de aplicar algoritmos em processos manuais ou baseados em planilhas desconexas resulta em análises falhas e frustração. É por isso que o primeiro passo não é contratar uma ferramenta de IA, mas sim olhar para dentro e se questionar: 'Meus processos estão realmente digitalizados? Onde estão meus maiores gargalos operacionais?'.
Aqui reside um ciclo virtuoso: a própria perspectiva de ganhos com a IA acelera a jornada da digitalização. Quando os gestores entendem o potencial de otimização, a digitalização deixa de ser um custo de infraestrutura e se torna um investimento estratégico.
Nesse contexto, avançamos para além da IA preditiva e generativa (insights) e entramos na era da IA agêntica. Diferente de um sistema que apenas analisa e sugere, o agente de IA é uma entidade autônoma ou semiautônoma que executa tarefas. Ele pode, por exemplo, renegociar uma entrega com um fornecedor ao prever um atraso ou ajustar o ritmo de uma linha de produção com base na demanda em tempo real.
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Essa capacidade é fundamental para enfrentar uma das maiores lacunas de conhecimento da indústria. Um agente de IA, treinado com os melhores processos e dados históricos da empresa, atua como um "colega digital" que trabalha 24/7. Ele pode guiar um operador menos experiente, identificar desvios de padrão que passariam despercebidos e garantir que as melhores práticas sejam seguidas de forma consistente, democratizando a excelência operacional em todo o chão de fábrica.
Toda essa inteligência exige um poder computacional que é inviável de se manter localmente. É aqui que o cloud computing entra como um pilar indispensável. Percebo que ainda existe um certo receio no setor industrial em relação à segurança de dados na nuvem, mas essa é uma visão que precisa ser superada.
Essa mudança de percepção é confirmada por outra frente do mesmo estudo, o Índice de Prontidão Futura (IPF), que mede as intenções de investimento das indústrias. A pesquisa aponta que a segurança cibernética (67%) e as soluções em nuvem (63%) já são as principais prioridades de investimento futuro para as empresas do setor, mostrando que o mercado está entendendo que a nuvem não é o problema, mas sim parte da solução de segurança.
Adotar a nuvem significa ter acesso a uma infraestrutura escalável, flexível e, acima de tudo, segura para rodar os modelos de IA mais avançados. É a nuvem que permite que uma PME tenha acesso ao mesmo nível de tecnologia que uma grande corporação, por exemplo, nivelando o campo de jogo e impulsionando a inovação em toda a cadeia.
Em resumo, o futuro da manufatura brasileira será construído sobre a base sólida da digitalização, acelerado pela capacidade de execução dos agentes de IA e sustentado pela segurança e escalabilidade da nuvem. A transformação é inevitável, e as empresas que fizerem a "lição de casa" agora não apenas sobreviverão, mas liderarão a verdadeira indústria 4.0 no Brasil.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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Angela Gheller
Angela Gheller é diretora de negócios para os segmentos de Manufatura e Logística da TOTVS desde janeiro de 2017. A diretora ingressou na unidade de Joinville da companhia, há mais de 20 anos, como gerente nas áreas de desenvolvimento, suporte e implantação. Também atuou por quatro anos como gerente de suporte técnico na TOTVS. Antes disso, a executiva trabalhou por mais de três anos como coordenadora de sistemas na Logocenter, empresa adquirida pela TOTVS em 2005, onde entrou como programadora e analista de desenvolvimento. A diretora é formada em Processamento de Dados de Software e Aplicativos pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) e possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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