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Carlos Eduardo de Sá Baptista    |   11/03/2026   |   Indústria Metalmecânica - RJ   |  

Indicadores estatísticos e os paradoxos do mercado de trabalho

Os números precisam estar alinhados para indicar o melhor caminho na busca da solução

A estatística é formidável. Partindo dos mesmos números, pode-se chegar a conclusões distintas, dependendo do objetivo inicialmente definido. Um resultado ruim pode parecer "não tão ruim assim", ou um bom resultado pode ser interpretado como "excelente".

Nas empresas privadas, os próprios resultados dos controles internos podem ser "massageados" para melhor ou pior, conforme a conveniência. Uma queda de vendas pode ser comparada com outro indicador também em queda, justificando que as vendas "não foram tão ruins". Ou ainda: embora o indicador escolhido como parâmetro tenha caído, a queda das vendas foi menor.

Mas os números precisam estar alinhados para indicar o melhor caminho na busca da solução. Produtos versus produtos similares no mesmo mercado, ou vendas comparadas com indicadores econômicos, são práticas comuns.

Quando buscamos informações para tomada de decisão empresarial, alguns indicadores econômicos são tão contraditórios que criam insegurança, principalmente no setor industrial, onde os investimentos em máquinas e equipamentos exigem planejamento operacional consistente.

As taxas de juros nos níveis atuais são um dos principais fatores de insegurança. Pode-se buscar financiamento incentivado, mas a mão de obra qualificada não tem alternativa: é binária — tem ou não tem.

Temos então um grande problema: a falta de mão de obra qualificada é crescente, mas os indicadores de desemprego são sucessivamente decrescentes.

Explicar esse paradoxo não é tarefa fácil se queremos uma solução perene. Há dúvidas sobre como esse indicador é calculado: suas premissas, seus números individualizados e separados por atividades, setores privados ou público, formais, informais, ocupados, desalentados e outras classificações existentes — porém, não muito bem claras.


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Exemplo prático: a geração de empregos em janeiro de 2026 foi menor que a esperada (informação pública), porém o desemprego caiu ao seu menor nível desde algum ano anterior — escolhido estrategicamente para impactar a informação (informação pública). Difícil concluir o que aconteceu na realidade.

A geração de empregos caiu porque a taxa de juros elevada para controle da inflação reduziu o crescimento do PIB brasileiro (informação pública). O Brasil não pode crescer mais de 2,3% ao ano porque causa inflação (informação pública), e o remédio usado é a taxa de juros.

Mas não se divulga que o crescimento do PIB atual é amparado pela grande atividade do agronegócio, petróleo e minério — setores pouco empregadores em comparação à indústria de transformação.

A produtividade da mão de obra brasileira está estagnada há décadas.

Em ano eleitoral, a grande bandeira é a redução da jornada de trabalho (sem redução de remuneração).

Não importa para quantas horas de redução algum projeto será aprovado. Quais políticos se arriscarão a votar contra o projeto em ano em que o voto é a garantia do seu emprego? O resultado, com certeza, será desastroso se implantado açodadamente.

Qualificação de mão de obra para aumento de produtividade não se consegue por decreto.

A contratação de mão de obra será necessária para manter os volumes de produção, mas dependerá das condições econômicas projetadas.

Mais mão de obra para produzir a mesma quantidade anterior significa maior custo de produção, maior preço, maior inflação, maior juros, menor demanda, menor crescimento econômico.

E, sem planos de crescimento econômico, com controle da inflação pelas taxas de juros, mais falta de mão de obra e indicadores de desemprego continuamente em queda, resultará na perenização da mediocridade econômica brasileira.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
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Carlos Eduardo de Sá Baptista

Presidente do Centro Empresarial das Indústrias Metalúrgicas do município do Rio de Janeiro (CEM Rio)

Indústria Metalmecânica - RJ

CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.

Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.

Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.

Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.