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Rafael Netto | 25/02/2026
Notícias
Com transição fiscal efetivamente iniciada em janeiro, tecnologia se torna essencial para que setor aproveite oportunidades e transforme desafios de adaptação em diferenciais competitivos
A Reforma Tributária ganhou um novo capítulo e passa a integrar, oficialmente, o cotidiano das empresas em 2026. Com a aplicação das alíquotas-teste do IBS e da CBS, tem-se início o período de transição que se estenderá até 2033 e exigirá convivência simultânea entre o modelo atual e o novo sistema de tributação sobre o consumo.
Para a indústria, esse contexto traz consigo não apenas a necessidade de compreensão das mudanças em uma fase ainda inicial, mas a oportunidade de transformar os desafios de adaptação em diferenciais capazes de fortalecer sua competitividade dentro da cadeia global do setor.
Isso porque, via de regra, os estudos indicam que a indústria tende a ser um dos setores mais beneficiados pela Reforma. O fim da cumulatividade, a ampliação do aproveitamento de créditos e a substituição de tributos fragmentados por um modelo mais uniforme criam condições para maior racionalidade tributária ao longo, sobretudo, de cadeias produtivas mais longas, como no caso do segmento industrial.
Todavia, esses benefícios não são automáticos ou cairão dos céus. A transição, como citado no início, demanda uma complexa convivência entre dois regimes, na qual erros de parametrização, falhas de controle ou interpretações imprecisas podem resultar em perda de créditos, distorções de preços ou aumento de passivos fiscais.
É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser um apoio complementar e passa a desempenhar um papel estruturante na adaptação das indústrias ao novo modelo tributário.
Sistemas de gestão integrados, especialmente ERPs especializados e alinhados às regras da Reforma Tributária, funcionam como uma espécie de bússola nessa jornada. Eles permitem traduzir normas em controles operacionais, automatizando a aplicação de alíquotas, a apuração de tributos e o controle de créditos ao longo de toda a cadeia industrial.
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E, em um período de convivência entre dois sistemas, essa automação é fundamental para reduzir riscos, evitar retrabalho e garantir consistência entre as áreas fiscal, contábil, financeira e operacional.
A indústria, possivelmente ainda mais do que outros setores, depende dessa visão integrada. A correta apropriação de créditos ao longo das etapas produtivas exige rastreabilidade das operações, classificação fiscal precisa e controle rigoroso das entradas e saídas.
Nesse sentido, sem tecnologia, esse processo tende a se apoiar em controles manuais ou soluções fragmentadas, aumentando a probabilidade de erros e reduzindo a capacidade das empresas de capturar plenamente os ganhos previstos pela Reforma.
Além da automação, a segurança da informação ganha relevância estratégica. A Reforma Tributária amplia o volume e a sensibilidade dos dados fiscais, exigindo sistemas capazes de garantir integridade, confiabilidade e histórico auditável das informações. ERPs preparados para esse novo ambiente oferecem trilhas de auditoria, padronização de processos e atualização contínua frente às mudanças regulatórias que ainda irão ocorrer.
Outro ponto relevante é a capacidade de simulação e planejamento de cenários tributários. A tecnologia permite que as indústrias avaliem impactos do novo modelo sobre custos, margens e preços ao longo da cadeia, apoiando decisões estratégicas de modo individualizado. Em um contexto de pressão cambial, custos dolarizados de insumos e ajustes regulatórios, essa capacidade analítica se torna ainda mais importante.
Além disso, o novo modelo fiscal do país tende a reduzir a dependência de incentivos tributários específicos, exigindo das empresas ganhos reais de produtividade, organização e governança. A tecnologia, nesse sentido, não apenas viabiliza a conformidade, mas contribui para uma indústria mais estruturada, transparente e competitiva.
Em síntese, a Reforma Tributária cria uma oportunidade relevante para a indústria brasileira, mas impõe uma condição clara: sem sistemas de gestão robustos e tecnologias integradas e atualizadas, os benefícios potenciais podem se perder no caminho.
A inovação, por fim, não elimina a complexidade da maior mudança tributária das últimas décadas do país, mas oferece o mapa para que empresas a atravessem com maior segurança, previsibilidade e capacidade de capturar valor ao longo dos próximos anos.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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