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Carlos Eduardo de Sá Baptista    |   19/08/2025   |   Indústria Metalmecânica - RJ   |  

Qual a origem do apagão da mão de obra?

Exclusiva

Pesquisas indicam que o trabalho formal tem perdido força como promessa de estabilidade e crescimento, sobretudo entre os mais jovens

Compilando e considerando dados das pesquisas atualizadas de entidades como Fiesp/Senai-SP e Instituto Locomotiva sobre a crescente necessidade e a escassez de mão de obra qualificada, principalmente para a indústria, e do estudo intitulado Mapa do Trabalho Industrial, que leva em conta tanto a formação de novos profissionais quanto a requalificação daqueles já inseridos no mercado de trabalho, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), devemos buscar alternativas, no menor prazo possível, e soluções, que não são simples nem fáceis, para modificar esse quadro.

Temos, nas economias atuais, a velocidade espantosa com a qual as tecnologias estão sendo aplicadas para aumento de competitividade nos mercados domésticos e internacionais. Os atrasos nas tomadas de decisão para implementação de medidas e de ações para mitigar a defasagem do conhecimento aplicado na produção de bens e serviços têm como resultado o aumento exponencial dos gaps tecnológicos entre os países desenvolvidos e os que pretendem ser emergentes.

Alguns dados dessas pesquisas podem servir como alerta para o despertar dessa letargia.

Em suas palavras, o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, defendeu o aumento da produtividade para mitigar a escassez de mão de obra: “Produtividade se faz com educação de qualidade e com mais investimento em bens de capital”.

Para o presidente do Ciesp, Rafael Cervone, está claro que uma indústria forte é aquela que cria oportunidades profissionais sólidas, com melhores salários e possibilidades reais de ascensão social: “A indústria promove a inovação, o avanço tecnológico e é um pilar fundamental da economia de construção de uma sociedade mais desenvolvida e justa”.


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Os resultados das pesquisas indicam que o trabalho formal tem perdido força como promessa de estabilidade e crescimento, enquanto cresce o olhar, sobretudo dos mais jovens, para alternativas que oferecem mais autonomia, flexibilidade e possibilidade de renda.

Segundo a pesquisa, 67% dos entrevistados “acreditam que o trabalho com carteira assinada deixou de garantir estabilidade e segurança para o futuro”. E 64% concordam que “o trabalho formal oferece pouca flexibilidade para conciliar vida pessoal e profissional”.

Embora a pesquisa mostre que 41% dos que trabalham por conta própria estão satisfeitos, também revela que 27% estão insatisfeitos. Na indústria, os insatisfeitos são apenas 6%.

Uma das conclusões da pesquisa é que, embora tenha muitos pontos positivos, como segurança e oportunidades de crescimento, a indústria precisa buscar estratégias para mudar a percepção dos jovens sobre as carreiras industriais.

Por outro lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Brasil precisará formar ou requalificar cerca de 130 mil engenheiros entre 2025 e 2027 para atender à demanda do mercado. Esse número faz parte de um estudo mais amplo que indica a necessidade de qualificação de 14 milhões de trabalhadores da indústria nesse período.

A pesquisa do ONI também aponta para a criação de 610 mil vagas de trabalho no setor industrial entre 2025 e 2027, além da necessidade de qualificação dos trabalhadores para suprir essas vagas e substituir aqueles que deixarão o mercado.

Enquanto o Senai está com 135.306 vagas abertas em cursos gratuitos e pagos, em várias unidades da federação, em outra pesquisa realizada pelo Instituto Semesp (encomendada pelo Valor Econômico), os resultados são desanimadores: os dados disponíveis de 2023 mostram que a formação de engenheiros no Brasil caiu de 128.866, em 2018, para 93.056, em 2023, uma queda de 28% (-35.810 engenheiros).

Alguns aspectos podem ser observados como bastante representativos nesse resultado: a redução do orçamento do Fies, de R$ 17,75 bilhões em 2018 para R$ 6,42 bilhões em 2024, além de problemas com as principais disciplinas, como matemática e física, causados pela fraca formação básica.

O extenso tempo necessário para cumprir uma grade curricular — 13 anos de formação básica, já ultrapassada, com diversas disciplinas de pouquíssima utilidade nos dias atuais, em que as informações estão disponíveis e atualizadas em tempo real — e mais 5 anos de curso superior, é uma eternidade para os impacientes jovens de hoje, que buscam muito cedo conseguir sua própria renda.

É uma equação complexa, em que qualidade de vida, remuneração salarial, ascensão social, educação básica, formação superior, satisfação profissional e vida pessoal são os pilares na busca de uma solução.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
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Carlos Eduardo de Sá Baptista

Presidente do Cem Rio

Indústria Metalmecânica - RJ

CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.

Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.

Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.

Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.